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Conservação sem Barreiras

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Por: Lucas Perillo

Os desafios da Conservação são inúmeros. É loucura pensar que vamos solucionar problemas tão complexos e urgentes sem a participação direta da população. Não contar com todas as esferas da sociedade é sinônimo de fracasso, já que grandes problemas ambientais têm muitas características em comum. Tanto pro lado ruim quanto na hora de buscar soluções. Falta de conhecimento técnico para colocar as opções na balança, tendenciosidade na hora de criar (ou manipular) leis e de determinar a viabilidade ambiental de empreendimentos. Todos são problemas comuns e recorrentes em vários países que abrigam megadiversidade biológica. E quem acaba pagando a conta é sempre a indefesa biodiversidade, que sofre por não ter preparo evolutivo para suportar nossa constante expansão. Mas claro, é ingenuidade demais pensar que não sobra pra gente, mesmo que não estejamos preparados para perceber o quanto tudo isso nos prejudica. Nem precisa pensar num futuro distante. Nos lugares que frequento desde a infância já vejo tanta perda de características naturais. É evidente o quanto simplificamos a paisagem por onde passamos, minando a tão importante qualidade ambiental (medida por exemplo por diferentes escalas de heterogeneidade ambiental). E olha que nem sou tão velho assim! No cenário atual de destruição de ambientes naturais e perda de inúmeras espécies, processos e serviços ambientais, vejo com pessimismo as consequências das ações tão constantes e intensas e confesso que tenho pouca esperança de mudança num futuro próximo.

Vejo um acúmulo gigante de conhecimento, que tem sido produzido em escalas cada vez maiores. Hoje temos muita informação de muita coisa. Mas claro, precisamos cada vez mais investir na busca por soluções. Pensando na aplicação do conhecimento para solucionar problemas da conservação da biodiversidade, dentro da universidade temos encontrado vários argumentos técnicos que poderiam ajudar, baseados em diversos projetos de pesquisa. Mas de que adianta descrever uma espécie ou gerar informações importantes sobre padrões ecológicos se na hora de tomarmos decisões tudo isso é ignorado? Parece que os pesquisadores, trazendo seus indispensáveis argumentos técnicos, não conseguem participar diretamente das políticas públicas. Muitas vezes essa participação extra muros da universidade não é valorizada. Vale muito mais publicar mais um artigo do que contribuir para a melhoria de uma proposta de lei. Prefiro pensar que isso vai mudar e que tais ações serão valorizadas na academia. E que a valorização venha com capacitação e preparo para alcançarmos o apoio tão importante da população. É difícil ser ouvido quando os outros acham que seus argumentos são movidos pela emoção. Na hora de colocar na balança, todos escolhem a opção “mais vagas de emprego” do que “preservação da natureza”. Claro, se não aparecem na discussão argumentos técnicos, informando por exemplo o valor econômico de um serviço ambiental ou as consequências diretas que determinado impacto trará para a vida de cada um, fica difícil concorrer com o sonho do desenvolvimento pregado sem ressalvas pelos empreendimentos. O empreendedor não tem compromisso com a verdade. Já que não precisam usar argumentos técnicos pode dizer qualquer coisa. E muitas vezes têm o dom na escolha das palavras e criam informações deturpadas da realidade ambiental que ajudam no convencimento de qualquer um. Claro, estão preparados pra isso.

Então qual é a saída, se temos tão pouco tempo e proporcionalmente poucas pessoas engajadas?!

Bem, temos uma arma que pode virar o jogo se usarmos com sabedoria. A internet é um recurso que rompe barreiras e que modificou a maneira de enxergar o mundo. Hoje grande parte da população tem um computador ou um celular próprio com acesso à internet e é impossível ignorar a utilização desses recursos para levar o conhecimento para além dos muros da universidade. Incorporar as pessoas na luta pela preservação do meio ambiente é fundamental e se apropriar das vantagens que a internet traz para alcançar o público deve ser uma prioridade. Temos pouco tempo e muito a fazer. Encurtar os caminhos para incluir a população nas discussões é a única maneira de mudar o cenário.


Para saber mais:

- Entrevista com Douglas Falcão: http://www.biologiadaconservacao.com.br/os-desafios-da-divulgacao-cientifica-no-brasil/

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